
Tudo sobre Branding e Posicionamento de Marcas
Branding vai muito além de um logotipo
Durante muito tempo, branding foi tratado como sinônimo de identidade visual, marketing ou comunicação. Com essa leitura, você vai entender por que essa visão é incompleta e descobrir qual é o verdadeiro papel do branding na construção de marcas fortes.
Prefere assistir?
Este conteúdo também está disponível em vídeo. Se você prefere aprender assistindo, dê play abaixo. Caso prefira, continue a leitura normalmente.
Por que branding ainda é tão mal compreendido?
Se você perguntar a dez empresários o que é branding, provavelmente ouvirá respostas muito diferentes. Alguns dirão que é o logotipo da empresa. Outros associarão o conceito às cores, à identidade visual ou às publicações nas redes sociais. Há ainda quem acredite que branding seja apenas uma palavra sofisticada para falar de marketing.
Curiosamente, todas essas respostas possuem um elemento de verdade. O logotipo faz parte da construção de uma marca. A identidade visual também. O marketing, em muitos momentos, participa desse processo. O problema começa quando essas partes passam a ser confundidas com o todo.
Essa confusão não surgiu por acaso. Durante muitos anos, o mercado reduziu o branding à sua parte mais visível: o design. Como consequência, muitos empresários passaram a acreditar que construir uma marca significava criar um bom logotipo, definir uma paleta de cores e produzir um manual de identidade visual.
Nada disso está errado. O problema é imaginar que o trabalho termina aí.
Quando uma empresa limita o branding à identidade visual, ela deixa de lado justamente aquilo que torna uma marca relevante ao longo do tempo: a clareza sobre quem ela é, o valor que entrega, a percepção que constrói e o espaço que ocupa na mente das pessoas.
Talvez esse seja um dos equívocos mais caros que uma empresa pode cometer. Afinal, quando branding é tratado apenas como estética, decisões estratégicas passam a ser tomadas sem uma direção clara. A comunicação perde consistência, a diferenciação enfraquece e a marca começa a competir apenas por preço ou conveniência.
Antes de responder o que é branding, porém, precisamos desfazer essa confusão. Porque compreender por que ela existe é o primeiro passo para compreender o próprio conceito.
Afinal, o que é branding?
Depois de entender por que tantas pessoas associam branding apenas à identidade visual, chegamos à pergunta mais importante deste artigo: afinal, o que branding realmente significa?
Antes de responder, vale a pena olhar para a própria origem da palavra.
Branding deriva do termo inglês brand, que significa “marca”. A palavra tem origem em uma prática antiga, quando criadores marcavam o gado com ferro quente para identificar sua propriedade. Naquele contexto, a marca tinha uma função bastante simples: indicar a quem algo pertencia.
Com o passar dos séculos, porém, seu significado evoluiu. Hoje, uma marca já não serve apenas para identificar. Ela existe para diferenciar, transmitir confiança e ocupar um espaço único na mente das pessoas.
É justamente aqui que muita gente se confunde.
Uma marca não é o logotipo. Também não é o nome da empresa, a embalagem do produto ou uma campanha publicitária. Todos esses elementos ajudam a expressar uma marca, mas nenhum deles é a marca em si.
Como vimos no artigo anterior, a marca existe na mente das pessoas. Ela é construída pela soma das experiências, das expectativas, das emoções e das percepções que alguém desenvolve ao entrar em contato com uma empresa.
É por isso que duas empresas podem vender produtos praticamente idênticos e, ainda assim, serem percebidas de formas completamente diferentes.
Se a marca é aquilo que as pessoas percebem, surge uma pergunta inevitável: quem organiza essa percepção?
É exatamente nesse ponto que o branding entra.
Mais do que um conjunto de ações isoladas, branding é um processo contínuo de construir, organizar e fortalecer a forma como uma marca é percebida pelas pessoas. Seu objetivo não é apenas tornar uma empresa conhecida, mas ajudá-la a ocupar um lugar claro, relevante e coerente na mente de quem realmente importa: seus clientes.
Talvez a maneira mais simples de entender branding seja pensar nele como a gestão consciente daquilo que uma empresa representa. Enquanto muitas organizações deixam que o mercado forme uma opinião por conta própria, o branding busca reduzir a distância entre a identidade da empresa e a percepção construída pelas pessoas.
É exatamente por isso que gosto de definir branding da seguinte forma:
Essa definição resume uma ideia que considero fundamental.
Toda empresa possui uma essência. Possui valores, uma cultura, uma forma de trabalhar e uma razão para existir. O problema é que nem sempre tudo isso é percebido pelo mercado da maneira como deveria. O branding existe justamente para reduzir essa distância, transformando aquilo que a empresa realmente é em uma percepção clara, consistente e memorável para as pessoas.
O que o branding realmente faz?
Depois de entender o que é branding, existe uma pergunta que considero ainda mais importante: qual é, na prática, a função do branding dentro de uma empresa?
A resposta pode parecer simples, mas costuma ser mal compreendida.
Imagine duas empresas que oferecem praticamente o mesmo produto. Ambas possuem qualidade semelhante, preços parecidos e investem em marketing. Ainda assim, uma delas transmite mais confiança, parece mais profissional, desperta admiração e consegue cobrar mais caro sem encontrar tanta resistência.
Se o produto é praticamente o mesmo, por que isso acontece?
A resposta não está apenas naquilo que essas empresas vendem, mas na forma como são percebidas pelas pessoas. O produto pode até ser semelhante. A percepção, porém, é completamente diferente. E é justamente nessa diferença que o branding atua.
Mais do que tornar uma empresa conhecida ou deixá-la visualmente mais atraente, sua principal função é construir significado e organizar a percepção que as pessoas desenvolvem sobre uma marca ao longo do tempo. Essa ideia pode parecer abstrata à primeira vista, mas basta observar como essa percepção é formada.
Ela não nasce de um único anúncio, de uma campanha específica ou de um bom projeto de identidade visual. Ao contrário, é construída pouco a pouco, em cada interação que as pessoas têm com a empresa. A forma como ela atende, como comunica, como resolve problemas, como entrega aquilo que promete e até as decisões que toma ao longo do tempo contribuem para que o mercado forme uma determinada impressão sobre ela.
É assim que uma marca passa a ser associada à confiança, à inovação, à tradição, à qualidade ou à proximidade. Com o tempo, essas associações deixam de depender de um contato específico e passam a fazer parte da identidade percebida da empresa.
Em outras palavras, o branding não muda apenas a forma como uma empresa comunica. Ele influencia a maneira como ela passa a ser compreendida e, consequentemente, o significado que começa a ocupar na mente das pessoas.
Então qual é o papel da identidade visual?
Se branding não é sinônimo de identidade visual, isso significa que ela perdeu importância?
Muito pelo contrário.
A identidade visual continua sendo uma das ferramentas mais importantes na construção de uma marca. Afinal, ela costuma ser o primeiro ponto de contato entre uma empresa e seu público. Antes mesmo de experimentar um produto, conversar com um vendedor ou conhecer a história de uma empresa, as pessoas enxergam suas cores, seu logotipo, sua tipografia, suas embalagens ou seu ambiente físico. Em muitos casos, a identidade visual é responsável pela primeira impressão que uma marca transmite.
O problema começa quando esperamos que ela faça um trabalho que não é dela.
No capítulo anterior, vimos que o branding organiza a percepção construída ao longo do tempo. É justamente por isso que a identidade visual, por mais bem executada que seja, não consegue cumprir esse papel sozinha.
Um excelente projeto de identidade visual pode transmitir profissionalismo, organização, personalidade e coerência. Mas, isoladamente, ele não é capaz de construir reputação, gerar confiança ou criar significado. Tudo isso é resultado das experiências que uma empresa proporciona, da cultura que desenvolve internamente, da forma como atende seus clientes e, principalmente, da coerência entre aquilo que promete e aquilo que realmente entrega.
É justamente por isso que identidade visual e branding não competem entre si. Eles cumprem papéis diferentes e complementares.
A identidade visual é uma das principais formas de expressar uma marca. O branding, por sua vez, organiza essa expressão para que ela seja coerente com sua essência, sua promessa e a percepção que deseja construir ao longo do tempo.
Essa talvez seja a diferença mais importante entre os dois conceitos. Enquanto a identidade visual dá forma à marca, o branding dá direção. É ele quem define o que merece ser expresso, por que deve ser expresso e como essa expressão permanecerá consistente em todos os pontos de contato.
Por isso, toda marca forte possui uma identidade visual. Mas uma identidade visual, por si só, não é suficiente para construir uma marca forte.
Afinal, qual é a relação entre branding e marketing?
Depois de tudo isso, talvez você esteja se perguntando onde o marketing entra nessa história.
Essa dúvida faz sentido. Afinal, durante muito tempo esses dois conceitos foram tratados como se fossem sinônimos.
Mas eles não são.
O branding e o marketing trabalham juntos, porém cumprem funções diferentes dentro de uma empresa. Enquanto o branding organiza a identidade, o significado e a percepção que uma marca deseja construir, o marketing faz essa construção chegar às pessoas.
Pense da seguinte forma.
Enquanto o branding responde quem somos, no que acreditamos, qual valor entregamos e como desejamos ser lembrados, o marketing se preocupa com outra etapa: como comunicar tudo isso, para quem, por quais canais, em que momento e por meio de quais estratégias.
Perceba que existe uma sequência lógica.
O marketing comunica. Mas, antes disso, alguém precisa decidir o que merece ser comunicado. É exatamente nesse ponto que o branding exerce seu papel.
Quando essa ordem é respeitada, cada campanha, cada anúncio, cada conteúdo publicado e cada ação de marketing reforçam a mesma percepção sobre a marca. Quando ela é ignorada, a empresa até consegue gerar visibilidade, mas dificilmente constrói significado. Por isso, algumas organizações investem continuamente em publicidade e, ainda assim, parecem começar do zero a cada nova campanha. Elas comunicam bastante, mas comunicam sem uma direção clara.
O branding não substitui o marketing. Ele é o que dá sentido ao marketing. Afinal, comunicar é importante, mas comunicar algo que realmente tenha significado é o que permite que uma marca seja lembrada, reconhecida e valorizada ao longo do tempo.
Como o branding aparece na prática?
Uma das maiores dificuldades para entender o branding é que ele nem sempre pode ser visto de forma isolada.
Você não entra em uma empresa e aponta para uma sala dizendo: “É aqui que está o branding.”
Na verdade, ele aparece justamente na forma como todas as partes da empresa trabalham juntas para transmitir a mesma percepção. Ele está presente na maneira como um vendedor conduz uma conversa, na experiência que um cliente tem ao entrar na loja, na linguagem utilizada nas redes sociais, na embalagem de um produto, no atendimento pós-venda, na identidade visual, na cultura da empresa e até naquilo que as pessoas dizem sobre a marca quando ela não está presente.
Nenhum desses elementos, isoladamente, é o branding. Mas todos eles contribuem para construir a marca.
É como uma orquestra.
Cada instrumento possui sua própria função. Um violino não substitui um piano. A percussão não substitui os instrumentos de sopro. Ainda assim, quando todos tocam em harmonia, surge algo muito maior do que a simples soma das partes.
Com uma marca acontece exatamente o mesmo.
O branding não é um dos instrumentos da orquestra. Ele é o maestro que garante que todos estejam tocando a mesma música. É ele quem faz com que cada ponto de contato, embora desempenhe uma função diferente, contribua para transmitir uma percepção única, coerente e consistente.
Quando isso acontece, a experiência deixa de parecer uma sequência de ações desconectadas e passa a reforçar a identidade da marca em cada interação.
É nesse momento que a marca deixa de ser lembrada apenas pelo que vende e passa a ser lembrada pela forma como faz as pessoas se sentirem.
Muito mais do que uma ferramenta
Depois de tudo o que vimos até aqui, talvez fique mais fácil perceber por que o branding costuma ser tão mal compreendido.
Durante muitos anos, ele foi apresentado como uma etapa do marketing, um projeto de identidade visual ou uma estratégia de comunicação. Embora todos esses elementos participem da construção de uma marca, nenhum deles, isoladamente, é capaz de explicar o que o branding realmente representa.
No fundo, branding não é uma ferramenta, mas uma forma de pensar a empresa. Quando uma organização compreende quem é, por que existe, qual transformação deseja gerar e como quer ser lembrada, suas decisões passam a seguir uma direção clara. A identidade visual deixa de ser apenas estética, o marketing deixa de comunicar apenas ofertas e cada ação passa a reforçar o mesmo significado.
É justamente por isso que marcas fortes costumam transmitir tanta coerência. Não porque acertem sempre, mas porque existe um critério orientando suas decisões. Elas sabem o que faz sentido para a marca, o que fortalece seu posicionamento e o que, simplesmente, não combina com aquilo que desejam construir.
O branding não elimina a necessidade de boas decisões. Pelo contrário, ele oferece um critério para que essas decisões sejam tomadas de forma consciente e consistente ao longo do tempo. Quando esse critério existe, a empresa deixa de reagir ao mercado a cada nova tendência ou oportunidade e passa a construir sua marca de maneira intencional.
Talvez seja exatamente essa a maior contribuição do branding: permitir que uma empresa deixe de apenas disputar espaço no mercado para começar, de forma consciente, a construir uma marca capaz de permanecer relevante ao longo do tempo.
O que acontece quando uma empresa entende o branding?
Quando uma empresa compreende o branding apenas como identidade visual, tende a tratar cada decisão de forma isolada. Um dia investe em um novo logotipo. No outro, muda o tom das redes sociais. Depois refaz o site. Mais adiante, lança uma campanha completamente diferente das anteriores. Cada iniciativa pode até ser bem executada, mas raramente conversa com as demais.
O resultado costuma ser uma marca que muda constantemente sua aparência, mas dificilmente evolui a forma como é percebida pelo mercado.
Quando o branding passa a ser compreendido em sua essência, algo diferente acontece.
As decisões deixam de partir apenas de tendências ou preferências pessoais e passam a seguir uma direção clara. A comunicação torna-se mais consistente, a identidade visual ganha propósito, o marketing passa a reforçar a mesma mensagem e até as pequenas escolhas do dia a dia começam a refletir aquilo que a marca realmente representa.
Nada disso acontece da noite para o dia.
Construir uma marca é um processo contínuo, formado por decisões repetidas ao longo do tempo. Talvez essa seja uma das maiores contribuições do branding: oferecer um norte para que essas decisões deixem de depender apenas da intuição ou das circunstâncias do momento.
É por isso que marcas fortes transmitem tanta consistência. Não porque nunca mudem, mas porque sabem exatamente o que faz sentido para aquilo que estão construindo.
No fim, o branding não torna uma empresa perfeita. Ele apenas aumenta as chances de que ela seja compreendida pelo mercado da maneira como realmente deseja ser. E, quando isso acontece, a marca deixa de depender apenas da qualidade de seus produtos ou serviços para ser lembrada também pelo significado que conseguiu construir ao longo do tempo.
Conclusão
Ao longo deste artigo, vimos que branding vai muito além da identidade visual. Ele não substitui o marketing, não elimina a importância do design e tampouco se resume a um conjunto de ações de comunicação. Seu papel é organizar todos esses elementos para que a marca seja percebida de forma coerente, consistente e alinhada àquilo que realmente representa.
Talvez, no fim das contas, a maior contribuição do branding não seja criar empresas mais bonitas, mas empresas mais claras. Quando existe clareza sobre quem a organização é, qual valor entrega e qual percepção deseja construir, as decisões deixam de ser tomadas de forma isolada e passam a seguir uma mesma direção.
É por isso que algumas marcas permanecem relevantes durante décadas, enquanto outras parecem precisar se reinventar a cada nova campanha. A diferença raramente está apenas na qualidade da comunicação. Antes dela, existe uma compreensão profunda sobre a própria marca.
Agora, deixa eu te provocar.
Quando foi a última vez que você parou para pensar não em como sua empresa é apresentada ao mercado, mas em como ela realmente deseja ser lembrada?
Porque talvez o verdadeiro desafio nunca tenha sido criar uma identidade visual melhor ou investir mais em marketing. Talvez o primeiro passo seja muito mais simples e, ao mesmo tempo, muito mais difícil, afinal, antes de organizar uma marca, é preciso organizar o pensamento sobre ela.
Continue aprendendo Fundamentos do Branding

